A OMS não fez restrições às fronteiras ou utilização de voos por causa da varíola dos macacos

Com opinião contrária ao do Presidente, Jair Bolsonaro, sobre as medidas de proteção ainda necessárias em ambientes fechados contra Covid-19, o diretor- presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, disse que a Varíola dos Macacos é mais um alerta sanitário no país. Ele criticou também a derrubada das medidas de proteção terem sido feitas pela presidência quando se trata de atribuições da Anvisa.
Durante entrevista ao jornal O Globo, Barra Torres disse que a Organização Mundial de Saúde (OMS) não preconiza restrições às fronteiras ou utilização de voos por causa da varíola dos macacos, mas ressalta que medidas de controle por conta da Covid-19 ainda estão sendo adotadas em aeroportos e aeronaves. “A forma de contágio não é a mesma, mas as medidas gerais, que procuram diminuir ou evitar a transmissão, vêm sendo aplicadas. É obrigatório o uso (de máscara em aviões), entretanto nós temos a possibilidade da refeição a bordo, que cria um período de tempo em que você estará sem máscara. Nós observamos — falando de Covid-19 — certo arrefecimento. Então, é possível que seja considerada, no futuro, a flexibilização”, explicou o diretor-presidente da Anvisa.
Para Torres, o momento é de cautela sobre a flexibilização das medidas de proteção sanitárias já que elas também evitam o contágio da varíola dos macacos, considerada emergência em saúde pública pela OMS. Sobre a flexibilização do uso de máscaras em aeroporto e durante os voos, ele acredita que pode acontecer, mas, questiona se é o melhor momento para isso. “Será que temos realmente condições agora: sim ou não?” Eu te digo: não me surpreenderia com uma flexibilização, mas, também, caso não venha neste momento, também não seria algo a surpreender”, pontuou.
Para Barra Torres o momento ainda é de cuidados e prevenção já que ainda é incerto o desenvolvimento do vírus recém-chegado. Além disso, o país ainda enfrenta o Covid-19. O diretor –presidente da Anvisa defende também que o órgão deveria ser mais atuante no incentivo à prevenção. “A campanha de vacinação é uma atribuição do ministério. A agência não faz campanha de vacinação ou uso de medicamento. Se a pasta o fizesse, bom seria, porque há uma progressão muito lenta do reforço em adultos e da aplicação em crianças”, concluiu.