Em Simões Filho, na região metropolitana de Salvador, a postura de alguns vereadores tem gerado inquietação entre moradores e profissionais do serviço público. Parlamentares têm realizado visitas frequentes a escolas, hospital, UPA, postos de saúde e outros equipamentos públicos, muitas vezes sem aviso prévio ou qualquer forma de agendamento junto às administrações responsáveis. Entre os mais ativos nessas ações está o vereador Genivaldo Lima, ex-integrante da base governista, que atualmente faz oposição à gestão municipal.
As visitas são amplamente divulgadas nas redes sociais, em vídeos nos quais o vereador aparece acompanhado de outras pessoas que o filmam enquanto ele faz críticas diretas à administração pública. As ações, que têm sido apresentadas como atos de fiscalização, vêm despertando controvérsia tanto pelo conteúdo quanto pela forma como são conduzidas.
Embora a fiscalização seja uma atribuição legítima dos vereadores, o modo como tem sido exercida levanta questionamentos sobre seus limites legais e éticos. Para muitos moradores e servidores, a presença repentina de parlamentares em ambientes de atendimento público, especialmente durante o expediente, compromete o bom funcionamento dos serviços, gera constrangimento aos profissionais e atrapalha a rotina dos usuários.
O cenário vivido em Simões Filho remete a um episódio recente no município de Tamandaré, em Pernambuco, onde o Ministério Público estadual (MPPE) recomendou formalmente que os vereadores se abstenham de entrar em unidades de saúde sem agendamento e acompanhamento adequados. O promotor de Justiça responsável pelo caso ressaltou que tais incursões, por vezes acompanhadas de câmeras e seguranças, não têm respaldo no ordenamento jurídico brasileiro.
MATERIA COMPLETA: MPPE orienta vereadores a evitar fiscalizações arbitrárias em unidades de saúde
Segundo a recomendação do MPPE, fiscalizações devem ocorrer mediante solicitação prévia, com uso obrigatório de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e acompanhamento de profissionais autorizados. Além disso, é proibida a captação de imagens de servidores e pacientes sem consentimento, bem como o acesso a áreas restritas sem autorização formal.
Caso as práticas observadas em Simões Filho persistam nos moldes atuais, há a possibilidade de o Ministério Público da Bahia adotar medidas semelhantes às de Tamandaré, visando proteger o bom funcionamento dos serviços públicos e o direito dos cidadãos à privacidade e segurança.
Entre especialistas e observadores políticos, cresce o debate sobre as reais motivações dessas fiscalizações: se há, de fato, o interesse público como prioridade ou se essas ações estariam mais ligadas à promoção pessoal, ganhos políticos e visibilidade nas redes sociais. A controvérsia se intensifica diante do fato de que os vereadores envolvidos nessas práticas não estão em seus primeiros mandatos e, até então, não adotavam esse tipo de postura. A forma ostensiva, filmada e amplamente divulgada das ações reforça a percepção de que o interesse político-eleitoral pode estar se sobrepondo à função institucional.
Enquanto isso, parte da população segue demonstrando insatisfação com o impacto das visitas, sobretudo pelo fato de ocorrerem durante o expediente, o que compromete o andamento de serviços essenciais e gera desconforto entre trabalhadores e usuários.
O episódio reacende a discussão sobre os limites entre o direito de fiscalizar e o dever de respeitar o funcionamento adequado das instituições públicas.

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